Inteligência artificial na música e o papel do produtor

Um ensaio sobre o papel da IA na criação de trilhas corporativas e o equilíbrio entre inovação tecnológica e sensibilidade artística.

Eu tenho acompanhado de perto essa onda da inteligência artificial na música e confesso que a velocidade das mudanças é impressionante. Todo dia surge uma ferramenta nova prometendo criar trilhas completas em segundos e isso tem deixado muita gente no mercado de eventos preocupada. Afinal de contas a IA veio para substituir o músico ou para dar superpoderes ao produtor? Na minha visão de quem está no campo de batalha há anos a resposta é simples pois ela é uma ferramenta fantástica mas que não tem alma.

Não dá para negar que a IA resolve problemas de prazo que antes eram impossíveis de encarar. Precisa de uma trilha de referência para um vídeo que vai ao ar amanhã cedo? A tecnologia entrega. Quer testar como um determinado estilo de som funcionaria em uma ativação antes de contratar uma produção pesada? Os algoritmos ajudam demais nessa fase de prototipagem e o grande ganho aqui é a agilidade que o mercado corporativo tanto pede. Mas o ponto que eu sempre bato na tecla em minhas consultorias é que a IA não entende de contexto emocional. Ela pode até gerar uma melodia bonita e tecnicamente correta mas ela não faz a menor ideia do motivo pelo qual aquela nota específica vai fazer o CEO da empresa se emocionar ao lembrar da trajetória da marca no palco.

Insight de Ouro: A inteligência artificial consegue ler dados e padrões mas ela é totalmente incapaz de ler a sala. O segredo do sucesso em um evento não é a perfeição da batida gerada por um computador mas sim a sensibilidade de saber exatamente quando subir o som para arrepiar o público.

Nós estamos entrando em uma fase onde o diferencial não será mais quem sabe simplesmente fazer a música mas sim quem sabe fazer as perguntas certas para a tecnologia e principalmente quem sabe escolher o resultado final. O papel do curador musical e do DJ corporativo se torna ainda mais importante nesse cenário. Nós somos os filtros. Somos nós que vamos decidir se aquele som gerado por um algoritmo tem a sofisticação que a marca exige ou se é apenas mais do mesmo sem nenhum brilho. Eu acredito que o futuro não é uma briga entre homem e máquina mas sim o sucesso do profissional que usa a inteligência artificial para ganhar tempo nas tarefas repetitivas e usa esse tempo que sobrou para pensar na estratégia e na conexão humana real. No fim das contas a tecnologia pode até criar a nota mas o sentimento quem coloca é a gente.

E você, já está usando a tecnologia a seu favor ou ainda tem receio de que o algoritmo roube a cena no seu próximo evento?

Que a música nos conecte sempre!

Abraço, Myrrha

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Myrrha

Luiz Myrrha é CEO da DJ HIT, Publisher e Diretor Musical. Formado em marketing, atua como DJ e especialista em experiências sonoras para eventos corporativos, conectando marcas às tendências do mercado musical.

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