O som como tradutor universal da cultura corporativa
Trabalhar com marcas globais exige uma habilidade que vai muito além de conhecer os sucessos das paradas internacionais. Quando uma multinacional realiza uma convenção que reúne líderes de diferentes países, o som deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser o elo de conexão entre culturas totalmente distintas. O desafio aqui é manter a unidade da identidade da marca enquanto se respeita as nuances e sensibilidades de cada região. O que funciona em um lançamento de produto em São Paulo pode soar agressivo ou totalmente fora de contexto em um evento em Tóquio ou Londres.
A música tem a capacidade única de traduzir valores corporativos em qualquer idioma, mas para isso o DJ Corporativo precisa ser um verdadeiro antropólogo sonoro. É necessário entender que o ritmo e o volume são percebidos de formas diferentes ao redor do globo. Enquanto culturas latinas e americanas costumam aceitar bem uma sonoridade mais vibrante e expansiva desde o início, culturas orientais ou europeias mais tradicionais podem exigir uma abordagem muito mais sutil, minimalista e focada no conforto acústico inicial para depois evoluir para algo mais enérgico.
O equilíbrio entre a matriz e a filial.
Um dos pontos mais delicados em eventos internacionais é a aplicação do manual de marca. Muitas vezes, a matriz envia uma diretriz musical que faz todo o sentido na sede da empresa, mas que soa fria ou distante para os colaboradores locais. O papel do diretor musical é fazer esse ajuste fino. É preciso “tropicalizar” a trilha ou adaptá-la regionalmente sem perder o DNA que a marca construiu globalmente. Usar instrumentos orgânicos locais em batidas eletrônicas contemporâneas, por exemplo, é uma forma elegante de homenagear a cultura da sede do evento sem abrir mão da modernidade que a empresa deseja projetar.
Psicologia sonora e o respeito às diversidades.
Em um evento global, você lida com diferentes religiões, costumes e visões de mundo em uma mesma sala. O uso de letras de músicas exige um cuidado redobrado para evitar termos que possam ser ofensivos em outros idiomas ou contextos culturais. Nesses casos, a música instrumental ganha um papel de destaque. Ela permite que a marca comunique sofisticação, inovação e agilidade sem os riscos de uma interpretação errada da palavra cantada. A sofisticação sonora se torna, então, o território neutro onde todos se sentem bem-vindos e respeitados.
✨ Insight de Ouro: Em eventos globais, a música não deve tentar ser local demais nem global demais. O segredo do sucesso é a identidade fluida: aquela que o convidado reconhece como sendo da marca, mas que respeita o ritmo do seu próprio coração cultural.
A tecnologia como aliada na tradução das emoções.
Hoje, com o uso de sistemas de som de alta definição e processamento digital, conseguimos criar camadas sonoras que atendem a diferentes áreas de um evento internacional simultaneamente. Você pode ter uma área de networking com uma trilha mais relaxada e focada em ritmos globais de baixo BPM, enquanto o palco principal explode com arranjos épicos que unificam a emoção de todos os presentes. O futuro das grandes marcas passa por essa personalização sonora geográfica, onde o som é usado para acolher as diferenças e celebrar os resultados em uma única voz.
No final das contas, o som de uma marca global deve ser como a própria empresa: capaz de se adaptar, evoluir e prosperar em qualquer lugar do mundo, mantendo sempre a sua essência intacta. É através dos ouvidos que a marca prova que, apesar das fronteiras, a emoção da conquista é a mesma em qualquer lugar.
E você, tem pensado em como a música do seu evento está sendo “traduzida” pelos convidados de diferentes origens?
Que a música nos conecte sempre!
Abraço, Myrrha